O Que Ainda Temos Para Inventar?
- Murillo Lima
- 7 de jun. de 2021
- 4 min de leitura

Há poucos dias estava fazendo uma revisão mental, após uma conversa com minha namorada, sobre as grandes invenções desenvolvidas pela humanidade e cheguei à conclusão que hoje existe pouco o que inventar, entretanto, ainda existe muito o que inovar com o que já existe.
A maioria dos produtos inovadores que utilizamos nas últimas duas décadas, e que consideramos extremamente inovadores, tiveram o seu desenvolvimento nas décadas de 70, 60 e algumas delas na década de 50 e levaram algum tempo até se aperfeiçoarem e virem produtos de massa.
Segundo Christensen (2011) em seu livro O Dilema do Inovador, existem dois tipos de inovação. A inovação Incremental, onde a maioria dos produtos estabelecidos no mercado passam por melhoria de desenvolvimento na sua peformance e a Inovação de Ruptura que é a criação de novos produtos, que inicialmente possuem um pior desempenho no curto prazo, mas que ao longo do tempo passa por melhoramentos. As tecnologias de ruptura trazem ao mercado uma proposição de valor muito diferente daquela que já está disponível.
O telefone celular é o equipamento mais usado hoje pelas pessoas sendo um bom exemplo a estudarmos. Este aparelho foi desenvolvido em 1970 pela Motorola, porém tornou-se popular nos anos 80 nos Estados Unidos, e no Brasil, sua chegada se deu no início dos anos 90, porém foi a partir dos anos 2000 que se tornou amplamente popular.
Em 2007 foi criado o smartphone, onde diversas tecnologias existentes foram agregadas ao celular: tela touchscreen (1971), microprocessadores (1971), computador pessoal (1973), internet (1969), softwares (podem acreditar, desenvolvido por Charles Babbage em 1843), tela de cristal líquido (1968) e cartão de memória (1980), a caçula de todas. A grande inovação foi unir todos estes equipamentos já existentes em um único aparelho, entretanto nada de novo existia ali. Atualmente o que menos fazemos com um smartphone é utilizar a sua função telefone celular, e por incrível que pareça, ele passou a crescer de tamanho, depois de anos encolhendo quando era apenas um telefone celular (CHALLONER, 2014).
A câmera digital, é outro bom exemplo. Desenvolvida em 1975, o seu surgimento parte de uma interessante história que teve uma triste jornada, para quem a criou, uma das organizações mais poderosas do mundo. Steve Sasson havia acabado de se formar engenheiro elétrico quando foi contratado pela Kodak. No mesmo ano de sua contratação, foi incumbido de desenvolver um protótipo do que seria a câmera digital atual. Porém o dilema de se apostar em uma inovação de ruptura como a câmera digital fez com que os executivos da Kodak a colocassem a ideia na gaveta. Quem carregaria aquele “trambolho” em uma viagem? Quem gostaria de ver fotos na TV? Quem iria guardar fotos digital em uma fita cassete? O filme fotográfico não será nunca substituído (CHALLONER, 2014).

Pois bem, três décadas se passaram e quando a Kodak, finalmente compreendeu o erro tentou correr atrás do tempo perdido, mas já era tarde. Além das fábricas tradicionais de câmera como Nikon e Canon, já terem desenvolvidos suas próprias câmeras digitais, novos entrantes vindos do mercado da informática já haviam desenvolvidos as suas câmeras e a cada dia, menos filmes fotográficos eram vendidos. Minha primeira câmera digital foi uma HP. Isso mesmo, a mesma HP das impressoras. Em 2012 a Kodak entrou com um pedido de falência e a duras penas vem tentando se reestruturar.
A gigante Xerox, possuía nos anos 70 um campus de inovação chamado Palo Alto Research Center, o famoso PARC. De lá saíram grande inovações como o mouse do computador (1967), a impressora a laser (1971) e o primeiro computador pessoal, o Xerox Alto (1973).
Muito do que consideramos inovações dos anos 90 e 2000, foram na verdade desenvolvidas muitos anos antes, principalmente nas décadas de 60 e 70 nos primórdios do que seria no futuro o Vale do Silício aos redores da Universidade de Stanford, em Palo Alto, Califórnia.

Atualmente acredito que as inovações que virão serão agregadoras, ou seja, a união de diversos equipamentos ou serviços em uma única plataforma. Plataformas como o Airbnb, Uber e Spotfy, que uniram os serviços, de alugueis, transporte e música com o smartphone (2007), internet (1969), cartão de crédito (1950) e o comercio online (1990) criado por a partir dos fins comerciais da World Wide Web (www) de Tim Berners-lee.
Estamos apenas no início do século XXI e acredito que posso dizer que já estamos em uma época que se cria número maior de novos negócios e serviços do que novos equipamentos e quando um novo equipamento surge ele será a união de outros existentes.
Não há muito mais o que ser inventado em termos de equipamentos. Talvez no campo da saúde, da exploração espacial e da física quântica possamos ver no futuro a criação de novos equipamentos, porém a inovação de ruptura que atingirá a maioria da população, com certeza ela está liga a ao desenvolvimento de novos negócios e serviços com que já estabelecido no mercado.
Referências:
CHALLONER, J. 1001 invenções que mudaram o mundo. 1a edição ed. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2014.
CHRISTENSEN, C. M. O Dilema da Inovação. 1a edição ed. São Paulo: M.Books, 2011.


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